Como eu manifestei o emprego dos meus sonhos - Parte 1
O dia em que eu sentei no sofá da minha casa e escrevi exatamente o trabalho que eu queria ter.
Já mencionei em textos anteriores que a empresa em que eu trabalho é resposta a uma oração feita depois da comemoração do meu aniversário de 40 anos, que aconteceu em maio/2022.
Eu estava desempregada e em uma situação de caos financeiro em que eu mesma me coloquei. Hoje eu tenho consciência disso.
Dívidas, restrição no nome, sem crédito no mercado e sem dinheiro para pagar um mini luxo como de uma manicure. Era essa a minha realidade.
Meu marido trabalhando sozinho ao mesmo tempo em que estudava muito para dar um UP na vida profissional e, consequentemente, no salário, nessa época ele ainda era CLT e já cultiva o sonho de empreender.
A impressão que eu tive na época é que tudo resolveu desmoronar ao mesmo tempo. Meu marido ficou desempregado sem ter estruturado absolutamente NADA para iniciar a vida de empreendedor.
É louco quando estamos vivendo dentro da situação, a gente só enxerga caos e problemas e fica difícil exercitar a fé que no fundo sabemos que temos.
Hoje eu consigo perceber que na época a vida estava se movimentando no rumo em que cada coisa deveria acontecer para os desejos dos nossos corações serem materializados.
Sentada no meu velho, porém atual sofá cinza da minha casa, as lágrimas rolando pelo meu rosto, eu tinha um caderno velho, uma caneta e muitos sonhos dentro de mim que vinham acompanhados de uma vontade de vencer e uma certeza de um plot twist.
Comecei a escrever o quanto eu queria e precisava de um trabalho, mas dessa vez eu queria que fosse diferente dos meus últimos trabalhos que mais me adoeceram do que me ajudaram a evoluir.
Eu queria um salário digno e acima do que eu já havia ganhado, e eu sabia que não seria fácil encontrar um salário assim com a formação que eu tinha na época, que era uma graduação em Administração de Empresas, ainda assim eu escrevi exatamente o valor no caderno;
Pensei nos planos de saúde que eu já havia recebido com benefício nas últimas empresas que trabalhei e sabia que existia no mercado planos de fato muito bons, fiz uma breve pesquisa dos hospitais e laboratórios em que eu gostaria de ser paciente, e logo eu tinha a lista dos planos de saúde que eu precisava ter e a categoria deles, escrevi no caderno;
Lembrei que a última vez que recebi um VR na vida foi quando era funcionária pública e era de apenas R$ 8,00 o dia. Sim, um absurdo, eu sei, mesmo sendo entre os anos 2012 e 2017, era impossível comer um lanche digno com esse valor em SP, que dirá uma refeição decente. Pesquisei o teto máximo de um VR em SP para um cargo superior ao meu último registro e coloquei no caderno;
Lembrei de todos os estresses que já havia passado nos últimos trabalhos com pessoas inseguras, o tal do puxa tapete, o tal de muito chefe para poucos funcionários, a tal da fofoca destrutiva, a cultura de concorrência imposta pelos líderes que não tinham o menor preparo para lidar com seres humanos, e o clima organizacional que era extremamente tóxico.
Comecei a pensar em que ambiente eu gostaria de trabalhar, e foi aí que me veio a certeza de que para eu evoluir eu precisava ser a menos inteligente do local, não dava mais para dividir o espaço com pessoas com níveis de informação, conhecimento, segurança, maturidade, inteligência emocional igual ou inferior ao meu. Pensei num ambiente de respeito, seguro, descontraído, que eu fosse avaliada e reconhecida pelo meu desempenho e que eu pudesse ser exatamente como eu sou sem ser julgada por isso, e que ser quem eu sou na essência fosse visto como diferencial e não como um defeito. Se as pessoas viam isso? Eu não sei dizer, mas que eu me sentia e me sinto livre para ser quem eu sou, isso sim, como eu nunca me senti antes. E naquele dia, eu coloquei tudo isso no caderno;
Pensei em como a cultura do bater ponto na entrada e na saída além de prejudicar e adoecer ainda desmotiva o profissional quando recebe seu holerite com descontos absurdos por 5, 10 e 15 min de atraso. Eu desejava um ambiente que não tivesse isso mais, e que eu desenvolvesse a minha autorresponsabilidade pelas minhas demandas e entregas, independentemente de que horas fosse ou o dia que fosse. Eu sei que eu entregaria e seria com excelência. Detalhei esse ponto com muita atenção no caderno.
E por fim, pensei que eu não ia mais pedir um emprego perto de casa, já que eu morava e moro (por pouco tempo) na periferia, as empresas dessa região não seriam a dos sonhos e sim mais uma das muitas que eu já havia passado, meu desejo naquele momento era de que eu pudesse ir morar mais perto da empresa onde eu fosse trabalhar, pois isso significaria muita coisa, quando se trata de evolução financeira e prosperidade. Então eu sabia que a empresa dos meus sonhos estava numa região geográfica longe da que eu morava, e para que eu tivesse mais qualidade de vida, esse novo trabalho precisava ser híbrido (dias em casa e dias no escritório), e por que não 100% home office? Porque eu gosto de ver gente, de interagir e porque tem coisas do cotidiano da minha área que faço acontecer com mais agilidade e eficiência no presencial. Concluído esse pensamento, listei tudo no caderno;
Depois de deixar claro, tudo o que eu esperava do meu novo ambiente de trabalho, comecei a ler salário, benefícios e clima organizacional e me deu um medinho e uma voz interior que adora me sabotar, soltou algo do tipo: Desce daí, querida!
Continua...
Bjs pra mim!

Comentários
Postar um comentário