Como eu manifestei o emprego dos meus sonhos - Parte 2
Entre entrevistas, inglês de centavos e uma mensagem recebida com o Wi-Fi desligado.
Resolvi ressignificar esse medo e tentar deixar esse sonho o mais palpável possível. Então comecei uma breve pesquisa dentro da minha área para descobrir qual cargo estava mais alinhado ao salário e aos benefícios, e descobri que não era o de analista pleno (o meu último, no caso), com muita sorte, um analista sênior teria tudo isso em uma multinacional e falando inglês fluente. What?
Tracei um plano, aprender inglês em tempo recorde, aprender na teoria tudo o que um analista sênior fazia, deixar o meu currículo o mais compatível possível (na teoria) com os dos meus futuros concorrentes, encontrar empresas multinacionais ou startups que estivessem contratando para aquela vaga, entregar meu currículo para o máximo de pessoas que eu conhecesse e que de fato poderiam me ajudar.
E foi assim que passei os próximos 5 meses daquele ano, acordava e dormia estudando inglês, eu simplesmente sumi, desativei redes sociais, não tinha mais vida social, o YouTube virou meu companheiro diário, e em 3 meses eu saí do zero e atingi o nível básico do inglês a ponto de saber formar frases simples.
Me sentia pronta para me arriscar em algumas entrevistas de inglês, o foco ainda não era ser aprovada e sim me testar, entender o que esperavam de uma profissional com inglês de centavos como eu rs
Eu tinha um sonho, um currículo superestimado e uma cara de pau para me jogar na experiência. Passei por três processos seletivos simultaneamente, o primeiro foi um fiasco, o segundo foi menos ruim e o terceiro eu avancei até a terceira etapa e na última fui massacrada por um jovem da geração Z com experiência de intercâmbio no currículo. Mas eu não desisti. Só entendi que eu precisava de QI (quem indica) forte; o restante eu conquistaria por mérito próprio, e a imagem da ex patroa da minha mãe começou a me perseguir, ela era a única pessoa que eu conhecia, porém não tinha mais contato e que, com certeza, teria bons contatos para me ajudar. Aliás, aos meus 18 anos ela tentou me ajudar a engrenar numa carreira profissional, mas eu estava mais interessada em reviver a minha infância e adolescência que tinham roubado de mim (falo disso depois), e esse era um dos motivos que estava com muita vergonha de procurá-la.
Era agosto/22 e eu resolvi procurar minha antiga terapeuta e simplesmente implorei para que ela me atendesse fiado e que assim que eu tivesse empregada eu pagaria cada centavo para ela. E ela topou. Juro!
Minhas sessões eram pautadas no fato de eu saber que tinha alguém que podia me ajudar, mas que eu não tinha coragem de importunar. Depois de algumas, na verdade muitas conversas na terapia, ela me encorajou a escrever um texto para essa pessoa e não enviar e que discutiríamos sobre isso na próxima sessão. E assim eu fiz!
Na sessão seguinte, ela me ajudou a fazer pequenos ajustes no texto e no meio da sessão, eu criei coragem e enviei a mensagem junto com meu currículo superestimado, logo em seguida eu desativei o wi-fi e os dados móveis, pois estava com medo da resposta, ou de me arrepender e querer apagar a mensagem.
Muitas horas depois resolvi encarar a realidade e tinha uma mensagem dela me dizendo que iria encaminhar para algumas pessoas, que não podia me prometer nada, mas que estava na torcida para que algo aparecesse.
Detalhe importante, na mensagem que mandei para ela, tinha o salário que eu estava buscando e para não parecer prepotente eu menti dizendo que esse foi meu último salário.
Em outubro/22 eu recebi uma mensagem da filha dela, com quem meu último contato foi na infância e a minha última memória era de uma menina de menos de 10 anos. Meu cérebro deu uma bugada na hora, pois a pessoa em questão já estava com mais de 30 anos. Ela era sócia da empresa e estava me convidando para um bate-papo, que depois evoluiu para um bate-papo com o sócio dela, e no mês seguinte eu estava na minha mesa de trabalho formalizando a minha própria contratação.
E posso falar?
Salário exato que eu pedi;
VR acima do que eu pedi;
Plano de saúde era um dos três que escrevi, porém com a categoria acima do que eu pedi;
Carga horária híbrida (apenas terça a quinta presencial).
Eu consegui!!! Eu estava dentro!!!
E junto com a realização do pedido veio o mal-estar de me sentir totalmente deslocada da realidade daquele povo todo. Eles tinham acesso, privilégios, informações, conhecimentos e eu me sentia burra o tempo todo. É importante ressaltar que todos sempre me trataram super bem e nunca fizeram nada para que eu me sentisse inferior, mas era impossível não comparar a diferença de realidades em todos os sentidos. Meu sonho da Disney era a viagem de final de ano de alguns deles, já que faziam de 3 a 4 viagens internacionais no ano, ou mais.
Mas eu estava curiosamente feliz em me sentir assim, porque eu sabia que eu tinha criado aquela realidade para mim. E mais que isso, eu precisava dela para crescer e evoluir.
E sabe o ambiente saudável que eu tanto queria? Descobri que por mais que a empresa tivesse o DNA do dono que é uma pessoa muito humana, ele dependeria muito de mim, já que eu seria responsável por todo o administrativo, inclusive o RH. E ter essa consciência me ajudou a moldar o ambiente do lugar conforme as pessoas iam chegando.
Quando eu entrei, muitas vezes me sentia a única pessoa ali que vinha de uma realidade como a minha. Com o passar dos anos, à medida que a empresa cresceu e novas pessoas chegaram, aquele cenário também mudou. Hoje olho para estas fotos e vejo um ambiente muito mais diverso do que aquele que encontrei no primeiro dia.
E o melhor elogio que recebi na empresa foi em dezembro/2023, exatamente um ano depois, quando fui promovida pela primeira vez na festa de confraternização em que passamos um final de semana juntos numa mansão em Ibiúna, mais do que o aumento no salário, o que realmente me marcou foi o discurso dos sócios dizendo que eu era A CARA da empresa. Tem noção de que eu orei por isso?
Foi daí que meses depois aconteceu o almoço que eu descobri que o sonho da Disney nasceu de uma mentira, história que eu contei no último post.
Essa grande manifestação que aconteceu na minha vida foi a mais importante até o momento, porque foi a primeira vez que eu tirei algo do coração e coloquei no papel com muita certeza e convicção de que aconteceria. Depois dela, eu entendi que o céu era o limite, ou não. rs
Bjs pra mim!



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