O dia em que eu me escolhi


Depois de ter um aniversário poderoso de 40 anos, meus aniversários seguintes foram um verdadeiro caos, não quero me aprofundar muito nisso, mas basicamente o motivo foi o mesmo que fez com que todos os outros antes dos 40 fossem tristes, a tal da expectativa por esperar que o outro fosse demonstrar afeto como eu demonstro, esperar por validação, aprovação e no final não acontecer nada e eu me frustrar. A sensação era de que, se eu não fizesse algo para comemorar, ninguém faria nada para me celebrar no meu dia.

Mas hoje entendo que isso tem a ver com a expectativa que eu criava, com a minha fragilidade, minha falta de amor próprio, ou pior, com o oferecer algo especial a alguém esperando algo em troca quando chegasse a minha vez.

Meses antes dos 44 anos eu refleti muito sobre isso e percebi como a antiga Lidi antes dos 40 tinha voltado com força e estava repetindo o mesmo ciclo de uma vida inteira, responsabilizando terceiros pela felicidade de um dia que é importante pra mim, só pra mim!

Foi aí que decretei que esse ano o dia do meu aniversário seria tão ou mais especial que o dia que eu quarentei.

Em poucos dias depois de muito refletir, decidi que para sair desse lugar de validação de terceiros e esperar algo vindo de alguém, eu faria meu dia especial apenas para mim, que eu desfrutaria da minha própria cia.

Preparei uma programação mega especial para esse dia e foi a coisa mais bonita que eu já fiz por mim mesma. Foi lindo!

Acordei cedo (6h da matina), peguei meu carro (preciso falar sobre essa questão de superação na direção em um outro post) e saí determinada a fazer todas as paradas que havia programado para aquele dia. Começando por uma corrida de 5km, era a primeira corrida da minha vida, aliás essa era a primeira vez que eu ia passar o dia todo sozinha comigo mesma para algo divertido, foi muito legal viver a experiência da solitude ao mesmo tempo que eu conquistava uma medalha de participação de algo que era totalmente fora da minha zona de conforto e que envolvia superação física além da emocional.

Depois dali, dirigi até a minha padaria favorita e me levei para tomar um belo café da manhã.

A seguir me levei para um Spa Day completo, dos pés à cabeça, literalmente, e essa, com certeza, foi a melhor parte do meu dia.

Depois de quase 4 horas de Spa, finalizei meu cabelo por lá, troquei de roupa por lá, me maquiei no carro e me levei para almojantar (já era perto das 16h) em um restaurante italiano delicioso.

E finalizei o meu dia em um cinema premium, com direito a cadeira que deita, sabe? E assisti o Diabo Veste Prada 2, e eu simplesmente amei o filme, voltei no tempo e lembrei da sensação que foi assistir o Diabo Veste Prada 1 no auge dos meus 24 anos, refleti em como os tempos mudaram e o quanto a minha percepção sobre a Miranda mudou muito 20 anos depois rs.

E depois me levei para casa com coração cheio e grata pela minha coragem de fazer algo diferente no dia que é o mais especial da minha vida PARA MIM, e é assim que tem que ser!

Teve momentos que bateu angústia, que pensei em determinadas pessoas que não me mandaram mensagem me parabenizando, mesmo tendo acordado com rosas do meu marido e cesta de café da manhã das minhas melhores amigas, ainda assim teve momentos que me perguntei o que eu estava fazendo, mas a maior parte do tempo eu senti um orgulho danado de mim, fazer coisas sozinha não é o meu forte, na verdade não era, então parte de mim sabia reconhecer o baita esforço que eu estava fazendo e o quão importante aquilo seria naquele dia especificamente.

Eu consegui documentar esse dia todinho com um vídeo que editei e postei no meu Instagram pessoal para eternizar e para que, quando a minha antiga versão me visitar, eu assista esse vídeo e lembre que só eu posso fazer por mim mesma o que precisa ser feito.

E o saldo de tudo isso veio dias depois.

Escrevo esse texto em 24/06/26 às 00:59 e hoje faz 1 mês e 21 dias desde o dia que eu me escolhi e me priorizei, e tanta, mas TANTA coisa aconteceu dentro de mim e a partir de mim que vou precisar de muitos capítulos para dissertar sobre. E eu vou!

Mas sabe o que me deixa feliz além de me permitir mergulhar de cabeça para dentro de mim, enfrentar as minhas questões e ter histórias lindas como essa para contar?

É que eu achei que, nessa fase da minha vida, eu estaria numa crise de meia idade e, na verdade, eu estou vivendo uma fase de expansão de consciência. E isso é literalmente mágico!

Bjs pra mim.

Comentários