Entendendo enquanto escrevo

Nem todo texto que eu escrever aqui será para contar uma história extraordinária.
O texto de hoje, ao contrário dos outros, eu não escrevi depois que entendi. 
Este eu escrevi para entender como eu me sinto agora.


Sabe quando você para e começa a perceber tudo ao seu redor e daí questiona TUDO o tempo TODO?
Fiquei assim por dias e isso me obrigou a olhar para dentro de mim e ligar minha autopercepção.
E já adianto que não foi algo fácil e nem gostoso de fazer, mas foi necessário para enxergar que a bagunça que existe dentro de mim reflete no meu mundo exterior.

Dentre tantas coisas que percebi em mim, eu notei alguns padrões que se repetem desde que eu me entendo por gente.
E mais difícil do que mudar algo externo é mudar  um comportamento que te acompanha há uma vida inteira, porque não se trata de um comportamento isolado. Na maioria das vezes, está ligado a uma crença que te faz repetir aquilo por trazer uma certa segurança. 
É algo que machuca, mas que você já conhece e prefere repetir o ciclo a encerrá-lo e lidar com o desconhecido.

Eu não quero me aprofundar sobre os padrões, porque requer muito mais coragem do que eu de fato tenho para expor as minhas vulnerabilidades nesse espaço.
Mas quero falar sobre a falsa sensação de zona de conforto que essa dor conhecida causa dentro da gente quando escolhemos não romper ciclos e quebrar estes padrões.

Me vejo evoluindo enquanto ser humano, expandindo a minha mente e avançando em direção a algo muito maior, e isso é maravilhoso, mas às vezes os olhos estão tão focados na sensação de viver o novo que me esqueço que atualmente estou vivendo dentro de uma oração que foi feita há muito tempo atrás.

E quando me dou conta, me vejo mudando da frequência da fé que move montanhas para a frequência da ansiedade. E entrar na frequência da ansiedade esgota muito rápido a minha fonte de energia.
E zerar a minha fonte de energia é a pior coisa que pode me acontecer. Eu entro no modo piloto automático a fim de ignorar tudo que está acontecendo ao meu redor e a minha primeira reação é falar pelos cotovelos sobre tudo e com todos, e nesse modo eu simplesmente esqueço o poder das palavras.

A bagunça interna começa a ficar pior e sem perceber, já estou fazendo algo que eu jurava ter ficado lá no meu passado, e nessa hora eu percebo que quando se trata do nosso interior não tem um EU do passado, do presente e do futuro. Nós somos o TODO, todas essas versões coexistem dentro de mim, e conforme eu evoluo enquanto pessoa é possível lapidar algumas versões que se encaixam melhor no meu EU do presente e do futuro, e a versão do passado vai perdendo o protagonismo, mas ela continua aqui dentro de mim, mesmo que adormecida, ela não deixa de existir.

Em momentos assim eu percebo o quão importante é me lembrar que tudo é energia, pois dependendo da frequência em que eu estiver, eu posso acordar versões que foram importantes na construção da minha personalidade, mas que hoje elas não cabem na vida que eu levo e quero viver.

E quando me dou conta de que, em algumas das minhas versões existe um padrão autodestrutivo que dependendo do momento em que estou vivendo ele vira o centro da minha vida e me empurra para viver ciclos que eu já conheço e sei que vai me destruir, é hora de decidir se vou entrar nesse looping ou se vou responder a esse ímã que quer me puxar para baixo escolhendo um caminho desconhecido.

Crescer e evoluir dói e não é porque seguir o caminho do desconhecido é doloroso, é porque abandonar o conhecido, por mais devastador que ele seja, é um trabalho árduo.
Poderia ser mais fácil se não fosse a nossa complexidade enquanto ser humano em dificultar o processo com nossas crenças e nossos apegos.

Que eu me permita descobrir a vida no auge dos meus 44 anos, tornando o processo menos árduo, escolhendo o novo sem apego ao que passou, me abrindo para novas experiências e confiando na capacidade do Universo que funciona de forma inteligente, não permitindo que nada se choque.

Que eu continue reconhecendo a minha evolução, o meu crescimento, a minha permissão para viver tudo que eu sonho e almejo.
Que eu esteja sempre atenta para perceber quando a melhor versão de mim mesma estiver perdendo relevância para dar lugar a uma versão que hoje já não condiz com o que eu sou e estou me tornando.

E que eu nunca me esqueça que os dias ruins também são importantes e que assim como tudo nesta vida, eles também vão passar.

Talvez esse texto não siga a linha dos anteriores, porque eu estava escrevendo para mim e em algum momento eu posso ter olhado para o texto com os olhos de quem escreve para um possível futuro público. 
Eu poderia desistir de publicar este post por achar que ele não tem uma ideia central ou uma conclusão, mas acredito que a beleza dele está na minha tentativa de organizar os meus próprios pensamentos.

Bjs pra mim!

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